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Por Trás Do Espelho

CREEPYPASTA

Havia sido um longo e entediante dia de trabalho. Debaixo da chuva, James tateou em busca de suas chaves, derrubando alguns dólares de seu bolso no processo. Ele não se importava. Queria apenas entrar e ter algum descanso bem merecido, embora soubesse que o sono não viria. O sono.
  O mundo lhe parecia tão estranho. Transcendental, até. Quanto tempo fazia? Três dias? Ele não podia continuar com aquilo. Precisava dormir, mas sabia que assim que sua cabeça se acomodasse no abraço macio do travesseiro, e suas pálpebras cerrassem sobre os olhos avermelhados, a sonolência iria embora. Ele havia tomado medicamentos, tanto legais quanto ilegais, e se drogara frenética e infrutiferamente apenas para conseguir algum repouso. A insônia estava tomando o controle de sua vida.
  James jogou algumas pílulas goela abaixo, não se importando com os efeitos colaterais, e bateu sua cabeça no travesseiro. Seus olhos se fecharam, e ele foi envolvido pela densa escuridão. Sua mente recusava-se a se esvaziar. Ele tentou se concentrar, esquecer do mundo real e mergulhar naquela escuridão, mas não conseguia. Ele sentiu uma necessidade súbita de ir assistir um pouco de TV, ou procurar algo para comer.
  Ele tinha esquecido de escovar os dentes? Sim, tinha. James se arrastou para fora da cama e cambaleou até o banheiro. Ele preguiçosamente direcionou a escova elétrica e vermelha até os seus dentes, então enxaguou a boca na pia. Ao voltar o olhar para o espelho, encarou seu próprio reflexo. Uma barba desalinhada e rala estava começando a surgir em seu rosto. Ele não gostou dela.
  James olhou ao redor, tentando localizar seu gilete. Será que o tinha guardado no lugar errado? Não estava perto do chuveiro, que era onde ele costumava deixar. Ele vasculhou por todo o banheiro, e até no corredor estreito do lado de fora. Ele não costumava perder as coisas, especialmente algo tão trivial quanto um gilete. James acreditava na filosofia simples de que havia um lugar para tudo, e tudo deveria ser mantido em seu lugar. Ele coçou a cabeça, voltou para o banheiro, e sobressaltou-se.
  Ele não tinha exatamente certeza da razão do sobressalto, ou porque havia se assustado tanto com o que vira. O gilete que ele estava procurando estivera o tempo todo em cima da pia. Ou não? Não, pensou ele, não estava ali. Eu teria visto. Eu deveria ter visto. Afastando o pensamento, James decidiu que não tinha a paciência para se barbear, de qualquer maneira. O que ele precisava, na verdade, era um agradável banho quente. Aquilo certamente o ajudaria a se acalmar, a clarear sua mente.
  A água era relaxante, se não completamente inebriante. James fechou os olhos e experimentou a coisa mais próxima de sono que ele havia conseguido nos últimos três dias. A água beijou a ponta de seu nariz enquanto ele lentamente começava a adormecer. No momento em que ele apagava, a água passou a esquentar mais. Não era uma mudança substancial na temperatura, apenas um pouco mais quente do que deveria estar. James não prestou atenção naquilo, apenas supôs que fosse algum defeito no encanamento.
  Além de que ele estava relaxado demais até para abrir seus olhos àquela altura. Então ele ouviu o inesperado ranger do botão que controlava a temperatura, seguido pela queimação intensa da água fervente ricocheteando contra seu rosto. Ele xingou e se recompôs, desesperadamente tentando desligar aquilo. O botão havia sido girado completamente para o lado rotulado com a letra "Q".
  A insônia era uma vadia, isso era fato. Uma vadia inconstante, indiferente, insensível. James estava confuso e desorientado, e seu rosto havia se queimado levemente com a água. Após se vestir, ele deu uma olhada no relógio de cabeceira. Eram 3:22 da manhã. Aceitando que não conseguiria dormir de jeito nenhum, James voltou para o banheiro e se olhou novamente no espelho. Seus olhos, que normalmente eram de um azul profundo, estavam cinzentos e cansados.
  Veias vermelhas e grossas podiam ser vistas por toda a retina. Suas pupilas estavam dilatadas, como se ele houvesse usado algum tipo de alucinógeno. James ficou ali parado em silêncio, examinando seu reflexo por um tempo. Ele ocasionalmente fazia caretas para si mesmo, contorcendo suas feições e semicerrando seus olhos cansados. Então aproximou o rosto do espelho, tão perto que seu nariz roçava no vidro. Apenas para se divertir, James reduziu sua voz a um rosnado ameaçador.

  - Quem é você? - Ele perguntou com a voz rouca, sem desviar o olhar do espelho. Seu reflexo piscou.
  James gemeu e recuou. Aquilo não havia acontecido. Ele estava cansado, apenas isso. Seria tolice pensar em outra coisa. Mas ele não podia evitar ficar aterrorizado enquanto voltava a olhar para o espelho para ver que monstro horrível e desfigurado estava esperando ele se levantar do chão. Porém, quando ele finalmente reuniu coragem para olhar, tudo o que vi foi a si mesmo. Embora ele tenha percebido algo. Não tinha fechado a porta do banheiro quando entrou? Ele achava que sim, apesar de não poder ter certeza.
  Seu cérebro estava fritado, ele precisava descansar. Sua mente estava certamente pregando peças nele. Ao virar as costas para o espelho, ele ouviu um som. Um ruído de algo arranhando, vindo diretamente de trás dele. O som parecia o raspar de unhas em um quadro negro. Quando se virou, ele viu que havia um longo e fino arranhão atravessando um dos lados do espelho. Uma pontada aguda de dor latejou no dedo indicador da mão direita de James. Sua unha estava esfolada e deformada, como se ele estivesse arranhando freneticamente algo.
  Era o espelho, não era? A causa de toda a confusão e das noites sem dormir. Cada vez que ele se virava, algo estranho acontecia. Algo bizarro. James voltou correndo para o banheiro e encarou seu reflexo mais uma vez. Ele fez vários movimentos bruscos em uma tentativa desesperada de provocar o que quer que estivesse se escondendo por trás do
espelho. Nada de anormal aconteceu. James estava com um medo extremo de se virar, mas sabia que não teria escolha além de fazê-lo mais cedo ou mais tarde. Ele girou o corpo lentamente, mas não quebrou contato visual com aquilo que o estava observando atrás do espelho. Imitando-o.
  Quando James desviou o olhar do espelho, tudo estava silencioso. Por dez segundos inteiros ele ficou ali, esperando algo horrendo voar para fora do espelho e devora-lo. Mas, por um longo tempo, nada aconteceu. Então um WHAM de estourar os tímpanos rompeu o silêncio. Ele se virou lentamente para ver o que poderia ter feito um barulho tão alto. Havia uma rachadura enorme no centro do espelho. Parecia que alguém esmurrara o vidro.
  Novamente, outra dor pungente dominou a mão de James, desta vez mais intensa do que da última. Quando ele olhou, percebeu que sua mão havia sido cortada em vários pontos ao redor das articulações e sangrava profusamente. Ele instintivamente correu para limpar o ferimento, esquecendo-se por completo do espelho. James enrolou seu punho em toalhas de papel e pressionou em uma tentativa desesperada de impedir o líquido carmesim de continuar fluindo de sua mão. Levou cerca de cinco minutos, mas os cortes finalmente pararam de sangrar. Quando a hemorragia terminou, James lembrou-se do espelho.
  Ele correu escada acima, batendo com o dedão do pé em dos degraus no processo. Ele caminhou pelo corredor na direção do banheiro, com o coração na garganta. Ao alcançar o banheiro, ele desmoronou em um canto, respirando fundo. Havia sangue espalhado por todo o espelho, como se alguém o tivesse espirrado. No chão havia um longo e irregular caco de vidro, também ensanguentado. Uma pequena poça de sangue se formava em torno do corpo agora sem vida de James. Sua garganta havia sido cortada.
***
  - Bem, o que você acha deste aqui, George? Eles disseram que encontraram uma pequena quantidade de erva em seu porão. - Disse o detetive particular Paul Kyte, enquanto sorria sinistramente diante da cena grotesca.
  Seu colega George Henderson deu uma risadinha e respondeu:
  - A maconha não faz isso com as pessoas, você sabe. Encontrei pelo menos dez marcas diferentes de soníferos na gaveta desse cara. Sabe quais são os efeitos colaterais dessas coisas? Ansiedade, alucinações, paranoia, etc. Aposto que esse coitado apenas tomou pílulas demais.
  Detetive Kyte franziu o cenho enquanto olhava para o espelho coberto de sangue seco.
  Ele poderia jurar que, por um segundo, havia visto um homem diferente ali, um rosto que não era o seu. O olhar era taciturno e inexpressivo. A pele estava levemente avermelhada, como se houvesse sido queimada por algo. Kyte esfregou os olhos e voltou a encarar o espelho. Desta vez não viu nada além de seu próprio reflexo. Ele semicerrou os olhos e se aproximou tanto do espelho manchado de sangue que seu nariz quase encostou nele. Enquanto olhava seu reflexo, ele piscou.

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